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Fazer refresh | quando é preciso agir em grande

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Há uns anos atrás, ao sair do Mestrado Executivo em Psicologia Positiva, do ISCSP-UL, criei um projeto dirigido aos cerca de 400 portadores de nanismo em Portugal. Chamava-se Agir em Grande e pretendia criar uma fonte de informação e de troca de partilhas entre as pessoas que, como eu, vivem com o facto de ser de baixa estatura.

Nessa altura, ao tentar contactar o máximo de pessoas possível com esta característica física, deparei-me com o triste facto que apenas 8 pessoas, das tantas contactadas diretamente, acederam a responder ao inquérito. O projeto, que tinha como objetivo servir esta comunidade, morreu à nascença. Percebi que havia pessoas que não queriam encontrar-se com outras iguais a si. Que não queriam crescer e evoluir. As respostas ao questionário que apliquei eram, na sua maioria, de alguém que não se sentia bem no seu isolamento mas que também não estava a querer sair daquele espaço.

Acredito que todos temos uma missão, um propósito. Cada um de nós carrega, em si, o dom de ser feliz, como diz a canção. Li, em tempos, uma frase, quando buscava incessantemente o meu propósito de vida, que dizia que mais importante do que andar constantemente (e cansativamente) em busca de um propósito de vida, o que é realmente importante é viver uma vida com propósito. Acredito que trago comigo o propósito de incentivar ao bem-estar e à felicidade. Em cada dia, em cada espaço onde entro, com todas as pessoas com quem me relaciono.

O projeto Agir em Grande, da forma como nasceu, transformou-se. Carreguei no botão refresh e tornei a expressão que dava nome ao projeto um lema de vida. Apesar de ser de baixa estatura, só acredito em fazer as coisas em grande. Não ando a brincar de viver. Prefiro viver e brincar.

Hoje, recomeça o meu projeto, o projeto Filomena Mourinho. Quem eu sou. A pessoa, a professora, a formadora, a voluntária, a atriz amadora, a aprendiz de cantora, a autora, a leitora voraz. E recomeça em grande. Porque a vida é uma bênção demasiado valiosa para ser vivida em versão mini.

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Um Rasto de Alfazema | Filomena Marona Beja

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Este foi o primeiro livro de Filomena Marona Beja – que partilha o nome comigo – que alguma vez li. Numa ida à Biblioteca Municipal, a capa chamou-me a atenção e o nome da autora, confesso, também: as Filomenas devem ler as Filomenas. Assim, trouxe-o como leitura de férias, pois leio imenso autores estrangeiros e conheço muito pouco do que se escreve (bem) em Portugal.
Confesso que inicialmente, a escrita de Filomena Beja me incomodou. A sua escrita “sincopada, mas firme”, como promete na primeira orelha, deixou-me, inicialmente, desconfortável e a quase desistir da leitura em alguns momentos. Mas a história prendeu-me e o que começou por ser inquietante integrou-se em mim e compreendi que a escrita tinha mesmo que ser assim para contar aquela(s) história(s).
As personagens pegam-se a nós à medida que as vamos descobrindo e que nos vamos envolvendo com elas. As suas perdas são as nossas, os seus enleios são os nossos, as suas (des)aventuras são as nossas.
Filomena Marona Beja conquistou-me. Vou querer ler mais da sua pena.

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A luz de Amsterdão: inspirações de uma viajante

A luz de Amsterdão (1)

Amsterdão fica tão perto de minha casa como o Porto. Sim. Para ir ao Porto, faço cerca de dez horas de viagem de automóvel (cinco para cada lado) por estrada nacional e autoestrada, com uma ou duas paragens para descanso e um snack. Em três horas, um vôo da TAP deixou-me em Amsterdão, depois de uma viagem de duas horas de automóvel até Lisboa. Valeu a pena. Viajar vale muito a pena, e é a única coisa que podemos comprar que nos torna, efetivamente, mais ricos.

Até há alguns anos, nunca tinha sonhado visitar os países nórdicos, mas uma visita pedagógica à Suécia num Projeto Comenius da escola onde lecionava deu-me uma perspetiva nova destes países e aguçou-me a vontade de conhecer mais. A Holanda entrou na minha lista logo em primeiro lugar devido às imagens que conhecia de revistas de viagens e da televisão.

A preparação da viagem foi quase nula. Tirando a marcação de vôos, de hotel, de táxi de e para o aeroporto, não preparei mais nada. Não quis saber o que visitar, exceto alguns museus. Com o passar do tempo, tenho-me habituado a deixar que as cidades se desvendem, me mostrem o que querem que eu visite e quero, essencialmente, deixar-me deslumbrar.

O facto de não ter procurado imagens do que poderia visitar fez com que cada encontro, cada visita, cada mudança de rua fosse, nesta viagem, uma oportunidade de me deixar encantar por uma cidade muito cosmopolita, muito aberta, muito acolhedora e que aceita a diferença. Não é uma cidade tolerante: tolerar significa “aguentar” (eu tolero-te, mas não quer dizer que gosto de ti). Amsterdão é uma cidade onde nos sentimos completamente integrados, sejamos quem formos, sejamos como formos. Chegámos logo após à Gay Pride Week e os arco-íris ainda iluminavam as ruas da cidade, assim como uma animação e um fervilhar de gente nas ruas. Mas Amsterdão fervilha sempre, em qualquer altura. E apesar da quantidade de visitantes, nunca me senti assoberbada, ou com um sentimento de claustrofobia, porque não havia excesso de pessoas. Foi perfeito.

Em cinco dias, tive bastante tempo para visitar a cidade velha a fundo e deixar-me apaixonar pelas ruas, os canais e o Amstel, o rio que dá nome à cidade. Deixei-me desconstruir no Museu de Arte Moderna, admirei Rembrandt no Rijksmuseum e absorvi as cores e a loucura de Van Gogh no museu com o seu nome. Conheci a cidade por terra e rio, a pé e de barco Hop On Hop Off, experimentei a gastronomia internacional em cafés, bares e restaurantes que nos apareciam pelo caminho e tive no dedo anelar um anel com diamantes no valor de quatro mil e quinhentos euros (no Museu do Diamante). Enfim, vivi Amsterdão em pleno.

As pessoas de Amsterdão – muitas delas não são autóctones – são acolhedoras e fazem-nos sentir especiais, mas sem falsidade. Tratam bem os turistas. Por duas vezes, fui abordada na rua para me cumprimentarem pelos meus vestidos, de uma forma educada, sorridente, simpática, sem segundas intenções. Só porque sim. E apaixonei-me, ah sim, apaixonei-me pela cidade que sinto como o local ideal para se viver. Terá os seus defeitos, como todas as cidades, mas é um local onde todos somos iguais e temos os mesmos direitos.

Um amigo meu diz que se não vivesse na sua aldeia natal (a qual recusa abandonar, mesmo de férias), o único sítio onde se imaginaria a viver era em Sevilha. Pois eu, se algum dia decidir sair de Portugal, será muito provavelmente em Amsterdão que me vejo a viver. Quem sabe…

 

 

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Abraçar a dor – abraçar a fibromialgia

ABRAÇAR A DOR

O mês de julho, que agora finda, viu nascer uma série de fenómenos fantásticos. O meu nascimento, no dia 20, o eclipse lunar no dia 27 e, entre um e outro, a publicação do meu primeiro livro: Abraçar a Dor.

Este sonho, de que eu já falei aqui, nasceu há algum tempo, mas só este ano ficou pronto para ver a luz do sol. No fundo, trata-se de uma viagem através dos últimos anos, em que fui conhecendo melhor quem sou, o que a fibromialgia é, e como somos as duas juntas.

Ao contrário de alguns autores, preferi olhar para aquilo que posso fazer, ao invés de passar páginas e páginas a lamuriar-me de quão mau é viver com fibromialgia. Há pessoas sem fibromialgia que vivem bem pior do que eu, porque têm depressão, têm outras doenças crónicas, ou, simplesmente, têm medo de viver.

Em nenhum momento menosprezo o sofrimento alheio – nem o meu. Apenas abro uma porta (ou pelo menos uma janela) para uma outra forma de viver com a fibromialgia, numa perspetiva de poder pessoal. Tenho fibromialgia, quanto a isso não tenho qualquer controlo, mas tenho o poder pessoal para vivê-la da melhor forma possível.

Ora isso implica trabalho. Detesto fazer exercício físico, mas trabalho duro no ginásio três vezes por semana. Adoro comer, mas faço uma alimentação que adequei depois de ampla investigação sobre o tema da alimentação na fibromialgia. Durmo as horas necessárias, mas não passo a vida deitada, apesar de haver dias em que não me apetece sair da cama. Não tomo medicamentos “indicados” para a fibromialgia pela medicina convencional (por opção minha), mas faço uma suplementação adequada que me equilibra e me mantém funcional. É fácil? Não. Mas é eficaz.

Partindo das minhas reflexões, escrevi, então, este livro, que pode (e deve) ser lido por quem tem fibromialgia, mas também por quem tem Lupus, Doença de Crohn, ou qualquer outra doença crónica. Deve ser, inclusivamente lido, por quem não tem doença nenhuma, mas que deseja ser mais feliz. Porque dores todos temos, mesmo que não sejam físicas.

O livro está disponivel nas lojas FNAC, Bertrand (neste momento com 10% de desconto), Chiado e WOOK (com 20% de desconto). Se preferir adquirir diretamente à autora e beneficiar de uma dedicatória individualizada, então entre em contacto comigo. Mas atreva-se a lê-lo e a partilhar as suas experiências.

 

 

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3 boas razões para escrever um livro

Yay For Rosé! (2)

Quando cheguei aos 40 anos, sabia que queria mais coisas da vida para além do que fazia profissionalmente. Adoro a minha profissão – a minha missão – mas confesso que não consigo fazer apenas uma coisa na vida. Não gosto de ser multitasker, de fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas preciso de algo que complemente a minha vida profissional. Assim, declarei que até aos 45 anos decidiria fazer algo mais.

A decisão de escrever um livro veio durante um processo de trabalho com a minha coach de Career Redesign, Lourdes Monteiro. Durante esse processo percebi o que poderia fazer, o que poderia dar às pessoas. E parte desse caminho, dessa dádiva, era um livro. A escolha do tema foi simples, pelo menos foi assim que o senti, e versou algo que fazia sentido para mim e cujo tema não estava bem tratado em livro em Portugal.

Existem várias razões para se escrever um livro; estas são apenas algumas.

Gostar de escrever

“Há muita gente que escreve, toda a gente agora julga que é escritor”, ouvi duas colegas minhas dizer. Escrever é uma arte, mas também é um processo, e se nem todos podemos ser Saramago, ou Graham Greene ou Sepúlveda, todos temos o direito de nos expressar através da escrita. Se com isso conseguirmos que algumas (de preferência muitas) pessoas leiam o nosso livro, ainda melhor. E se pudermos ganhar dinheiro com isso, é um bónus que não podemos recusar. Quem gosta de escrever tem o direito de escrever. E de publicar, se assim o desejar. A partir daí, é o destino que dita as regras.

Ter algo para partilhar

Quem escreve, mais do que qualquer outra coisa, partilha algo seu. No meu caso, decidi partilhar algo que me diz respeito, uma questão de saúde – a fibromialgia – e a forma como lido com ela. Escrever serve, também, como catarse e é uma forma muito válida para nos conhecermos melhor.

Fazer algo que ainda não foi feito

Em Portugal existe apenas um livro editado sobre o tema da fibromialgia, quando está estimado que cerca de seis por cento da população sofre com esta doença. O livro que li (o único no mercado) debruçava-se profundamente sobre as limitações que esta doença traz, as dores, o que se perde na vida. Sem menosprezar o sofrimento (nem o meu, nem o das outras pessoas com fibromialgia), decido dar uma perspetiva diferente, mais empoderadora, mais ativa. Fiz o que ainda não tinha sido feito.

E é assim que acredito que todos nós temos, pelo menos, um livro dentro de nós, pronto a ser escrito. Este foi o meu, o primeiro. Outros já se encontram a caminho. E o seu, onde está?

 

 

 

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Xô, depressão!

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O final do ano letivo é sempre, para mim, um momento de cansaço extremo, quase a roçar o esgotamento, o famoso burnout. É-me necessário fazer umas paragens homeopáticas ao longo do ano, mas este ano – quem sabe por estar numa escola nova – não o fiz e, como diz a canção, o corpo é que pagou. E a cabeça. Estou esgotada e sem vontade de fazer o que quer que seja.

Felizmente, a formação pós-graduada que fiz em Psicologia Positiva trouxe-me imensa informação e inúmeras intervenções para que eu possa atuar quando estou neste grau de cansaço e de esgotamento. Assim, eis algumas das ferramentas que uso (e estou a usar neste momento) para descansar corpo, mente e espírito, ao mesmo tempo que retiro da minha vida tudo aquilo que está a mais.

Sim e Não

Dizer sim quando é para dizer sim e não quando é para dizer não: há coisas que me são impossíveis de fazer agora, pelo grau de cansaço e pela falta de tempo, pelo que é imperativo que eu escolha o que quero e tenho que fazer e o que posso deixar para outro momento. Por vezes, implica entregar um documento de trabalho mais tarde. Outras vezes, pode obrigar-me a dizer que não a um convite para um concerto ou um jantar. A cada momento, é-me essencial aferir aquilo a que devo dizer sim e aquilo a que devo dizer não.

Fazer coisas que me ajudam a limpar a cabeça

Apesar do cansaço, o trabalho físico ajuda-me a descansar. Uma das coisas que me ajuda mais a descansar é arrumar gavetas ou armários. Esta semana tem sido fantástico limpar os excessos que se escondem nos armários da cozinha e assim poder beneficiar os que precisam ao fazer doação das coisas de que não preciso à Loja Social.

Dormir uma sesta

Não me lembro, em criança, de fazer sestas, mas desde que vivo no Alentejo as sestas são quase obrigatórias nas tardes de verão. Tento fazê-las curtas, mas as maganas tendem a estender-se até ao final da tarde, quando já está mais fresco. Não me importo, porque bem preciso de dar repouso ao meu cérebro, que trabalha tão afincadamente todo o ano.

Vitaminada é sempre melhor!

Nestas alturas de maior cansaço recorro, frequentemente, a suplementos alimentares. Neste momento, estou a fazer um multivitamínico para cansaço físico e mental, que espero me vá ajudar a suplementar nutricionalmente as minhas necessidades. Uso também alguns dispositivos fitoterapêuticos para ajudar a equilibrar o meu bem-estar, de forma a auxiliar todo o processo.

Meditar, meditar, meditar

Nada como uns minutos de meditação, ou mindfulness, ou atenção à respiração, ou até oração, para voltar àquele espaço de equilíbrio e harmonia que todos nós conhecemos mas do qual tantas vezes nos esquecemos. Bastam alguns minutos e a respiração ajuda-me a centrar-me e a reencontrar o equilíbrio. Por vezes é mais difícil, mas continuo a tentar, até sentir os efeitos.

Acredito que todos temos a chave para nos sentirmos melhor. Por isso, mãos há obra. Com trabalho, tudo se consegue.

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Uma vida FREE

uma vida free

Acredito piamente que cada um de nós tem um propósito neste mundo e, mesmo que não saibamos qual é esse propósito, em determinados momentos a vida encarrega-se de nos mostrar qual o caminho a seguir para cumprirmos a nossa missão neste planeta.

Há alguns anos atrás andava obcecada com a ideia de descobrir o meu propósito de vida. Lia tudo o que podia sobre o assunto, fazia meditações guiadas e criativas, estudava, pesquisava… Até que, um belo dia, encontrei esta frase: “mais do que encontrar o propósito da sua vida, o que é importante é viver uma vida com propósito”. A partir desse momento, tudo começou a fazer sentido. E eu descobri o que tinha de fazer: viver uma vida com propósito.

Como professora, um dos meus propósitos é ensinar, ou melhor, partilhar conhecimento. É das coisas que mais gosto de fazer: aprender e ensinar. Assim, acredito que a minha missão neste planeta é ensinar. O quê, não sei. Mas ensino tudo o que me pedem e que eu saiba. E quando não sei, vou aprender, para depois poder partilhar com os outros.

Há umas semanas, uma amiga perguntou-me como fazer para deixar de comer glúten e lactose, pois um médico a tinha aconselhado, mas estava a encontrar muitas dificuldades na escolha dos produtos. Acredito (e esta é a minha opinião) que somos muito mais saudáveis quando não ingerimos lactose nem glúten, especialmente quando temos algumas questões de saúde, como já referi aqui. O açúcar está, também, presente em quase tudo o que comemos, é necessário uma atenção extrema, porque “light” e “diet” não significa com pouco açúcar (sabe que um iogurte pode chegar a ter 12g de açúcar por 100g?). Por isso, a melhor coisa é estar bem informado e fazer escolhas sensatas e saudáveis.

  • alimentos que contém glúten: todos os alimentos (atenção aos processados) que contém trigo, cevada, centeio e malte ou produtos derivados destes ingredientes na sua composição (atenção aos ingredientes “escondidos”, por isso leia muito bem os rótulos)

  • não é por ser ser glúten que é saudável: no mercado já existem substitutos para farinhas e produtos confecionados, mas ter escrito “sem glúten” não é sinónimo de saudável; é bom evitar bases de pizza, bolos, biscoitos, bolachas, pão e outros alimentos processados. Quer pão? Faça-o; como dá trabalho, acaba por comer menos.

  • ingredientes escondidos: supostamente a mostarda não é feita com ingredientes que têm glúten, certo? Errado! Leia bem o rótulo de mostarda, maionese, chocolates, cereais e de tudo o que compra de forma a garantir que não tem vestígios de glúten.

  • lactose free: a mesma coisa se aplica aos produtos sem lactose; não têm lactose, mas têm gordura, hidratos de carbono (açúcares) em excesso e não podem ser consumidos em excesso, tal como os que têm lactose não o devem ser. Contenção é a palavra chave.

  • excesso de açúcar: é muito importante cortar o excesso de açúcar na nossa alimentação. Mais uma vez, é imprescindível ler os rótulos, analisar tudo a fundo e aprender. Se necessário, faça como eu e consulte uma nutricionista, e vai descobrir açúcar escondido onde menos espera (queijo!).

O segredo, ao início, é simples: leia os rótulos com atenção. Com o passar do tempo, vai começar a reconhecer o que tem e o que não tem glúten e lactose, vai começar a descobrir os seus produtos e marcas preferidas e vai ter uma vida alimentar perfeitamente equilibrada, saudável e saborosa. Eu faço uma receita de brownies com uma mistura de farinhas sem glúten feita por mim que os meus amigos adoram e é bem melhor do que a versão com glúten.

Assim, da próxima vez que for ao supermercado, mesmo que não queira tornar-se já gluten/lactose/sugar free, comece a ler os rótulos dos alimentos e comece a analisar o que tem vindo a ser a base da sua alimentação. Atreva-se a mudar. Atreva-se a ser mais saudável. Atreva-se a ser free.

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Bucket List: desejos a realizar

BUCKET LIST

No ano passado escrevi este texto, que foi publicado no outro blogue que escrevo em colaboração com a minha amiga e colega Nélia. Por estarmos em junho e por ser uma altura que se coaduna com estes temas, decidi repostá-lo aqui.


Uma bucket list não é nada mais nada menos que uma lista das coisas que gostaríamos de fazer antes de “bater as botas” (em inglês, “kick the bucket”). Assim, é habitual criar bucket lists mais gerais, por exemplo de vida, ou mais a curto prazo (por exemplo uma específica para as coisas que queremos fazer durante o verão ou as férias). Podemos incluir coisas tão específicas como “jantar no restaurante do José Avillez”, ou algo mais genérico como “visitar pelo menos um país em cada um dos cinco continentes”. Cada um de nós tem a capacidade de realizar o que deseja e é importante que o que escrevemos nessa lista seja realmente importante. Não devemos incluir algo só porque mais alguém o incluiu na sua lista. Eu, por exemplo, não tenho nenhum interesse em saltar de paraquedas e essa é uma atividade que surge mencionada em centenas – se não milhares – de listas destas. A sua lista deve ser a SUA lista, e de mais ninguém. Foque-se em si e naquilo que realmente o move.

Não se sente inspirada? Veja o filme The Bucket List, com Jack Nicholson e Morgan Freeman, e inspire-se. Mas não copie. O processo de criação da sua própria lista é simples; basta aceder aos seus sonhos mais íntimos.

Sente-se, com papel e caneta (ou uma versão digital) e faça uma tempestade de ideias: o que gostaria de fazer? Que cidade ou país gostaria de visitar? O que gostaria de experimentar? Que comida gostaria de provar? Que pessoa gostaria de conhecer/ver? O que gostaria de aprender? Que experiência radical gostaria de viver? Há imensas fontes de inspiração na internet, como o Pinterest, onde pode ir buscar ideias.

Seja bem específico: visitar o mundo todo não é específico; visitar dois países em cada continente, é.

Liste apenas aquilo que faz mesmo sentido para si. Aquilo tem mesmo a intenção de fazer, não apenas um desejo muito ténue que não o vai impelir a a gir.

Crie uma lista com uma extensão que não o assuste. 100 coisas podem ser assustadoras; 10 são mais possíveis. E lembre-se que a lista é transformável; pode apagar itens e acrescentar outros, à medida que o tempo passa. Há uns anos atrás, ir à Índia era parte da minha lista; neste momento já não é algo que me excite tanto.

Pode criar listas a curto, médio e longo prazo. Eu gosto de fazer uma Bucket List de férias de verão, mas também tenho uma lista a mais longo prazo. Acho que até está no momento de pegar nela e ver o que quero fazer este ano. Podemos criar listas do género “até aos 40”, “até aos 50”, ou, como disse antes, de férias de verão, ou de ano (por exemplo, para 2018).

Inclua coisas grandiosas, mas também coisas mais simples, como ver o nascer do sol numa praia. E evite coisas que sejam mesmo muito difíceis de conseguir, como, por exemplo, jantar com a rainha de Inglaterra – parece-me muito difícil de realizar (e a si?).

Imprima a sua lista, ou se a escreveu à mão (com letra bonita) recolha a folha, e coloque-a num local bem visível, com um quadradinho à frente onde possa colocar um certo quando realizar cada uma das atividades.

Criar sonhos e realizá-los não é impossível. Implica algum esforço, algum trabalho, mas vale bem a pena. Agora comece. E conte-me quais são os primeiros 3 itens da sua lista.

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Uma escola feliz

EscolaFeliz

Quando era criança não gostava da escola. Entrei, cheia de entusismo, com cinco anos para o que se chamava a Escola Primária e lembro-me da primeira coisa que fiz. A professora pediu o lápis preto. Eu procurei nos lápis de cor e mostrei o lápis preto. Não é esse, disse-me, com voz ríspida, é este, e mostrou-me o lápis de carvão. Foi assim que começou um pesadelo de quatro anos.

Quantos de nós não tivemos professores que nos marcaram pela negativa. Eu tive-os, com certeza, mas também tive exemplos que me inspiraram como aluna e também como professora. Lembro-me, principalmente, da professora de Português do sexto ano, que nos incentivou a fazer leitura extensiva, quando na altura ainda não se fazia isso nas escolas. E da professora de Inglês do décimo segundo, que me fez querer muito viajar até Inglaterra e Estados Unidos e – finalmente – inspirou-me a ser professora de Inglês.

A profissão de professor – e a escola – são neste momento alvo de ataques por vezes muito feios. Os professores estão mortos, lia-se na porta da minha escola há uns dias. Os professores estão de férias a maior parte do ano. Os professores têm que. Os professores têm que fazer tudo. A escola tem que fazer tudo. E aqui, pergunto: quem é a escola? Numa reunião escolar há algum tempo atrás, uma representante respondeu a esta pergunta “então, a escola são os professores!”. Resposta errada: a escola somos todos nós.

Há algum tempo falei aqui sobre um livro que revelou um pouco do trabalho que se faz na Escola da Ponte. Esta semana comecei a frequentar uma ação de formação fora do meu horário de trabalho, que foi paga por mim e implica um trabalho sério e profundo, dinamizada por José Pacheco, o professor que “criou” a Escola da Ponte. Em simultâneo, encontro-me a ler um relato sobre a experiência e os projetos de César Bona, um professor espanhol, que foi candidato ao Global Teacher Prize. A escola precisa de mudar, claramente. Mas a escola somos todos nós: os alunos, os professores, o ministério da educação, os pais, os encarregados de educação, os municípios e mesmo toda a comunidade onde cada escola se insere.

A escola onde trabalho – e onde sou feliz – foi convidada a participar num projeto a nível mundial que poderá vir a transformá-la numa comunidade de aprendizagem. Este projeto implica a participação da comunidade – toda a comunidade – em atividades de sala de aula. A tão desejada entrada da comunidade na escola é agora uma realidade, mas que não se concretiza em pleno, porque quando se contactam os voluntários que se ofereceram para participar nas aulas, estes não estão disponíveis. Neste momento, a maioria dos voluntários que se estão a “apresentar ao serviço” são, mais uma vez, os professores, em horas que não estão nos seus horários, para garantir que este projeto, que promete o sucesso educativo, avance em pleno. Porque gostamos dos nossos alunos e queremos que sejam felizes e tenham sucesso escolar.

Os alunos podem gostar da escola e podem ser felizes na escola, é esse o nosso sonho. É para isto que trabalhamos. Acredito que cada um de nós faz o melhor que sabe e de que é capaz em cada momento – digo-o tantas vezes – e, como diz José Pacheco, temos que trabalhar com e não trabalhar contra as pessoas e as instituições para criar uma escola feliz e de sucesso.

Eu sou feliz na escola. Mas acredito que posso ser mais feliz ainda. Por isso, trabalho para isso (ainda há acredite que a felicidade não dá trabalho) e invisto em mim enquanto pessoa e enquanto professora. Porque faço parte da escola. Tal como os meus alunos. Tal como os encarregados de educação dos meus alunos. Tal como o senhor da barbearia e a senhora que me atende no supermercado. Porque todos fazemos parte de algo muito maior. E todos queremos – acredito – que as nossas escolas sejam mais felizes. Mas para isso temos que voltar à escola.

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As princesas também caem

SABES QUE AS PRINCESAS TAMBÉM CAEM_ (1)Quando era criança, por ter algumas dificuldades de equilíbrio e de sustentação ortopédica, caía com muita frequência. Habituei-me a chorar quando caía, porque ficava envergonhada. Não percebia porquê, até que reparei que a minha mãe fazia o mesmo. Ter vergonha de cair deve ser uma das vergonhas mais sem sentido que eu conheço, por isso comecei a trabalhar arduamente para dar cabo dela.

No passado fim de semana fui ao baile de finalistas dos meus alunos de há três anos atrás. Adoro vestir roupas de festa e deslizar pelos salões. Sinto-me empoderada; não porque a roupa seja cara, mas porque me empenhei em estar no meu melhor para mim e para as pessoas que vou homenagear. O convite dos meus antigos alunos deixou-me muito feliz e foi uma grande alegria vestir-me de princesa para celebrar este final de “época” com eles.

Depois de uma noite linda, muito bem passada, estava a sair do espaço (magnificamente decorado pelos alunos e por duas das suas professoras), quando – acreditem! – escorreguei numa folha de alface e caí de cara no chão. Verificações: parti algum dente? Não? Estou a esvair-me em sangue? Não. Sinto o joelho? Não. Help! Fui ajudada por alunos e por mães extremosas e daí a alguns minutos estava no carro, pronta para ir para casa. Estava cheia de dores, mas desta vez não senti vergonha, não chorei (porque não tive vontade) e dediquei a minha energia a cuidar de mim com muito carinho.

Hoje, passados quatro dias, ainda tenho a boca e o queixo roxos, mas já não me dói o joelho e estou feliz. Porquê? Porque não senti vergonha. Porquê? Porque as princesas também caem. E, como dizem os nossos irmãos espanhóis, no passa nada.